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Criptomoedas viram alvo de crimes híbridos e perdas chegam a US$ 700 milhões

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CentroesteNews
20/01/2026

 

A promessa de autonomia financeira e descentralização que impulsionou o mercado de criptomoedas também abriu espaço para uma nova e preocupante dinâmica criminal. Em um curto período, golpes e roubos envolvendo ativos digitais já provocaram perdas estimadas em US$ 700 milhões, combinando fraudes online sofisticadas com crimes presenciais, como invasões a residências e coerção direta das vítimas.

Diferentemente das grandes ofensivas contra corretoras, comuns nos primeiros anos do setor, o foco atual dos criminosos são investidores individuais. Pessoas físicas, muitas vezes sem sistemas avançados de proteção, tornaram-se alvos preferenciais de quadrilhas que exploram falhas tecnológicas, vazamentos de dados e, sobretudo, vulnerabilidades humanas.

Grande parte dos crimes começa no meio digital. Golpes de phishing, invasão de e-mails, clonagem de contas e acesso indevido a serviços de armazenamento em nuvem são usados para localizar carteiras digitais, frases de recuperação e chaves privadas. A partir desse ponto, o ataque pode escalar rapidamente.

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Em situações mais extremas, os criminosos avançam para a violência física ou psicológica, forçando vítimas a transferir criptomoedas em tempo real. Como as transações em blockchain são irreversíveis, o roubo se torna praticamente definitivo, sem possibilidade de estorno ou bloqueio, como ocorre no sistema bancário tradicional.

Especialistas apontam que o aumento desses crimes está diretamente relacionado à proliferação de bancos de dados vazados, vendidos em mercados clandestinos. Com essas informações, quadrilhas conseguem identificar perfis considerados “valiosos”, monitorar hábitos e planejar ataques mais precisos e eficazes.

Esse cruzamento de dados cria um cenário em que o investidor passa a ser observado antes mesmo de perceber qualquer sinal de ameaça, tornando a prevenção cada vez mais complexa.

Apesar da falsa sensação de segurança associada à transparência do blockchain, a rastreabilidade das transações não garante a recuperação dos ativos roubados. Os endereços usados nos crimes raramente estão vinculados a identidades reais, e os valores podem ser rapidamente fragmentados ou transferidos entre diferentes redes.

Além do prejuízo financeiro, há impactos profundos na vida das vítimas, como trauma psicológico, sensação de impotência e medo permanente, especialmente nos casos em que o crime ultrapassa o ambiente digital e atinge o espaço doméstico.

O avanço do mercado cripto não foi acompanhado, na mesma proporção, por uma cultura sólida de segurança entre usuários. Especialistas reforçam que, na maioria dos casos, o ponto mais vulnerável não é a tecnologia, mas o comportamento humano.

O uso de carteiras físicas offline, a não digitalização de frases de recuperação, autenticação em múltiplos fatores e desconfiança de contatos não solicitados são medidas básicas. Ainda assim, o cenário indica que a criminalidade seguirá se adaptando à medida que os ativos digitais se valorizam e se popularizam.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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