O aumento da popularidade de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, conhecidos por auxiliar no emagrecimento, tem desencadeado uma preocupante onda de contrabando, prisões e até assaltos em Mato Grosso. Esses produtos, amplamente desejados por quem busca perder peso rapidamente, se tornaram alvo de organizações criminosas, gerando uma série de operações policiais e evidenciando os riscos da comercialização ilegal.
Nesta quarta-feira (4), a Polícia Federal deflagrou a Operação Peso Falso, planejada para combater o contrabando de canetas emagrecedoras no estado. A ação foi resultado de uma investigação iniciada após a apreensão de Mounjaro e anabolizantes realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os medicamentos haviam sido trazidos do Paraguai de forma clandestina, mas esse é apenas um entre muitos casos semelhantes registrados nos últimos meses.
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Em janeiro, uma carga contendo 190 canetas emagrecedoras e 90 anabolizantes foi interceptada em Itiquira. Durante a abordagem, o responsável pelo transporte foi preso. No ano passado, a Polícia Federal apreendeu 25 canetas Mounjaro na divisa entre Mato Grosso e Goiás, procedentes do Reino Unido. Além disso, a PRF atuou em pelo menos três apreensões em Cuiabá e Sinop, onde medicamentos contrabandeados foram confiscados.
As autoridades alertam para os graves riscos relacionados ao comércio clandestino desses produtos. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Mauro Cristiano Perassoli Filho, o uso de medicamentos não licenciados pode trazer sérios danos à saúde pública, além de impulsionar outras práticas criminosas. Ele reforçou que o combate a essas atividades exige não apenas ações policiais, mas também a conscientização da população.
Em dezembro de 2025, a Polícia Civil de Mato Grosso realizou duas operações significativas. A primeira, em Rosário Oeste, prendeu um enfermeiro e um comerciante envolvidos na venda ilegal de emagrecedores. A segunda, em Barra do Garças, teve como alvo uma clínica médica, onde foram apreendidas 25 ampolas e 11 canetas emagrecedoras. O médico responsável foi autuado por comercializar produtos terapêuticos sem registro, configurando crime grave.
A demanda crescente por esses medicamentos tem atraído até mesmo ladrões. No último mês, um casal foi preso pela Polícia Militar após assaltar uma farmácia em Cuiabá e levar 42 caixas de canetas emagrecedoras, incluindo as marcas Ozempic e Mounjaro. Esses casos evidenciam a escalada da criminalidade ligada a esse mercado e reforçam a urgência de uma fiscalização mais rigorosa e da conscientização da população sobre os perigos do uso e compra de medicamentos ilegais.