CentroesteNews
04/12/2025
A cassação do vereador Gilson José de Souza, em Pedra Preta, repercutiu como um divisor de águas no enfrentamento à violência política de gênero em Mato Grosso. A vereadora Katiuscia Manteli, autora do projeto que cria a Política Municipal de Enfrentamento à Violência Política de Gênero em Cuiabá, disse que recebeu a notícia como “um marco para todas as mulheres que ocupam espaços de poder”.
Ela relatou, durante o Grande Expediente desta quinta-feira, que a decisão da Câmara de Pedra Preta representa mais do que a punição individual a um ato misógino — é o retrato de uma sociedade que começa a reagir. Para Katiuscia, o fato de oito vereadores terem votado pela cassação do parlamentar que atacou a prefeita Iraci Ferreira com ofensas sexistas mostra que os tempos estão mudando e que o desrespeito não passará mais impune.
Em seu discurso, a vereadora destacou que a violência política de gênero ainda é uma realidade cotidiana e silenciosa, muitas vezes naturalizada nos bastidores e nos plenários. Por isso, a cassação, segundo ela, funciona como um grito coletivo de basta. Katiuscia celebrou também a mobilização feminina na defesa da prefeita, apontando a união das mulheres como força essencial para transformar estruturas historicamente machistas na política.
A parlamentar lembrou que seu projeto de lei, em tramitação na Câmara de Cuiabá, busca justamente criar mecanismos permanentes de prevenção e proteção. A proposta inclui campanhas educativas, divulgação de canais de denúncia e ações formativas para servidores e para a sociedade, criando um ambiente mais seguro para que mulheres possam exercer mandatos e participar da vida pública.
O episódio de Pedra Preta reacendeu o debate sobre como discursos violentos, quando normalizados, corroem a dignidade e afastam mulheres da participação política. Para Katiuscia, a cassação deixa um recado direto a quem insiste nesse comportamento: não haverá mais espaço para agressão, humilhação ou tentativa de silenciamento.
A Câmara de Pedra Preta decidiu pela perda do mandato do vereador por oito votos a dois, após análise da Comissão Processante que concluiu que ele quebrou o decoro parlamentar ao usar uma expressão ofensiva contra a prefeita Iraci Ferreira. A decisão repercutiu em todo o estado e foi celebrada por lideranças femininas como um avanço democrático imprescindível.