Investigadores do caso Master afirmam que o material obtido até o momento tem potencial para “resetar” a República. A gravidade do cenário foi informada aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que veem como inviável a permanência do ministro Dias Toffoli como relator do inquérito. Segundo a Polícia Federal, são apurados possíveis pagamentos a Toffoli relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master, investigado por fraudes bilionárias.
Nesta semana, a direção da PF entregou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, um relatório de perícia contendo mensagens no celular de Vorcaro que mencionam Toffoli. Apesar de não detalhar o conteúdo, o envio do documento, que cita a Lei Orgânica da Magistratura, reacendeu os questionamentos sobre a conduta do ministro.
Em nota, Toffoli negou qualquer relação financeira ou pessoal com Vorcaro, esclarecendo que sua participação societária na empresa Maridt se limita a um contrato familiar regularizado. Essa empresa, administrada por seus irmãos, vendeu cotas de um resort vinculado ao fundo de um parceiro do Banco Master, gerando discussões sobre a natureza das transações.
Nos bastidores, ministros do STF consideram insustentável a continuidade de Toffoli no caso, já que as suspeitas podem comprometer a confiança no julgamento. A situação agora depende das decisões de Fachin e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Toffoli teria esperança de um parecer semelhante ao dado por Paulo Gonet à Alexandre de Moraes, que recentemente teve investigações arquivadas por falta de provas contra ele.
Enquanto isso, dentro do STF, cresce o temor de uma crise institucional sem precedentes, com as investigações ameaçando não apenas a reputação do tribunal, mas também a estabilidade entre os Poderes. A defesa de Vorcaro, por sua vez, criticou a exposição pública de informações sigilosas, alegando prejudicar o direito de defesa e favorecer narrativas equivocadas em meio ao processo.


