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Carne bovina: Imea diz que Mato Grosso tem baixa dependência dos EUA mesmo com nova tarifa

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CentroesteNews

23/07/2025

 

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar em 50 pontos percentuais a tarifa de importação de carne bovina brasileira, elevando-a para 76,4% a partir de 1º de agosto, já causa impactos no mercado, mas Mato Grosso tende a sentir menos os efeitos. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) afirma que o estado mantém um mercado externo diversificado e com forte presença em países como China, Chile e Rússia, o que reduz a dependência do mercado norte-americano.

De acordo com dados do Imea, os EUA representam atualmente 13,69% do volume total de carne bovina exportada pelo Brasil no primeiro semestre de 2025, consolidando-se como o segundo maior comprador. No caso específico de Mato Grosso, a participação americana é menor, atingindo 7,20% do total exportado no mesmo período. Isso dá ao estado a possibilidade de redirecionar parte dos embarques para outros mercados já consolidados, como os países asiáticos, minimizando perdas.

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Os analistas do Imea reforçam que os EUA também dependem fortemente da carne brasileira, que responde por cerca de 30% do total de suas importações. “Caso a tarifa seja mantida, eles terão que buscar alternativas em países como Austrália, Argentina e Uruguai, que geralmente apresentam preços mais altos do que o Brasil”, observa o instituto.

Destinos da carne de Mato Grosso em 2025
China: 49,55%

EUA: 7,20%

Chile: 5,52%

Rússia: 5,36%

Egito: 3,37%

Filipinas: 3,03%

Arábia Saudita: 2,88%

México: 2,65%

Itália: 1,97%

Líbia: 1,83%

Exportações brasileiras para os EUA caíram 60% após sobretaxas
Os efeitos da política tarifária de Trump já são sentidos nos números. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que as vendas de carne bovina do Brasil para os EUA caíram 61,8% em junho de 2025, em relação ao pico registrado em abril, quando o Brasil exportou um recorde de 47.836 toneladas de carne bovina in natura para os americanos.

Após o anúncio de uma sobretaxa de 10% em maio, o volume caiu para 27.413 toneladas. Em junho, houve nova queda, para 18.232 toneladas. Até 21 de julho, apenas 9.745 toneladas foram embarcadas. Apesar da retração, o Brasil ainda fechou o primeiro semestre com 156 mil toneladas exportadas para os EUA, o maior volume já registrado para o período desde 1997.

A cota livre de tarifas de 65 mil toneladas, garantida em acordos bilaterais, é rapidamente atingida nos primeiros meses do ano. O excedente é taxado tradicionalmente em 26,4%. Em abril, a sobretaxa temporária de 10% elevou a tarifa para 36,4%. Agora, com a nova medida, a alíquota total chegará a 76,4%, o que deve reduzir ainda mais os embarques no segundo semestre.

Impactos esperados e estratégias de mercado
Especialistas apontam que, diante da perda de competitividade no mercado norte-americano, os exportadores brasileiros devem buscar reforçar suas vendas para a China, que já é o maior destino da carne bovina mato-grossense, respondendo por quase 50% das exportações do estado. Países do Oriente Médio, Sudeste Asiático e América Latina também devem absorver parte do volume que antes era destinado aos EUA.

Além disso, o câmbio favorável e a alta demanda global por proteína animal oferecem uma oportunidade de reposicionamento estratégico. “A diversificação de mercados é a grande vantagem de Mato Grosso. O impacto da tarifa dos EUA deve ser mais forte em estados que dependem mais desse mercado”, explica um analista do Imea.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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