O Brasil está consolidando um ecossistema próprio de pesquisa e desenvolvimento em torno da terapia celular CAR-T, uma das tecnologias mais promissoras no tratamento de cânceres hematológicos. A iniciativa reúne centros acadêmicos, instituições públicas e hospitais de referência, criando uma rede estratégica para nacionalizar a produção e reduzir custos dessa terapia avançada.
Entre os destaques está o projeto CARTHIAE, desenvolvido pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. A proposta permite que as células do próprio paciente sejam coletadas, modificadas geneticamente e reprogramadas em território nacional, sem a necessidade de envio ao exterior, prática comum nos tratamentos importados. Esse modelo reduz significativamente o tempo de espera e o custo do procedimento.
Até o momento, o projeto já tratou 15 pacientes, apresentando boa taxa de resposta clínica e efeitos colaterais semelhantes aos observados em terapias internacionais aprovadas. A iniciativa representa um passo estratégico para ampliar o acesso à tecnologia no país, que hoje enfrenta barreiras relacionadas ao alto custo dos produtos importados, que podem ultrapassar milhões de reais por paciente.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de células de defesa (linfócitos T) do próprio paciente. Em laboratório, essas células são modificadas para reconhecer e atacar células cancerígenas de forma mais eficiente. Depois de reprogramadas, elas são reinfundidas no organismo para combater o tumor.
Além do Einstein, outras instituições de peso estão envolvidas na construção desse ecossistema científico. A Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolvem pesquisas e estruturas laboratoriais voltadas à produção nacional de terapias celulares avançadas.
Especialistas avaliam que a articulação entre universidades, centros hospitalares e instituições públicas fortalece a autonomia tecnológica do país e posiciona o Brasil como potencial polo latino-americano em terapias avançadas. O avanço também pode impactar o Sistema Único de Saúde (SUS) no futuro, ampliando o acesso a tratamentos de alta complexidade.
O desenvolvimento da tecnologia em solo brasileiro representa não apenas um avanço científico, mas também estratégico, ao reduzir dependência internacional, estimular inovação e fortalecer a indústria nacional de biotecnologia.




