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CentroesteNews

09/12/2025

Na Bahia, a realidade do mercado de trabalho escancara um retrato que mistura dependência social e sinais de transformação. O estado segue entre os que possuem mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada, mas os números mais recentes apontam uma mudança gradual nessa dinâmica, impulsionada pela retomada do emprego formal nos últimos dois anos.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que a Bahia contabiliza atualmente cerca de 2,46 milhões de pessoas recebendo o benefício, enquanto o número de trabalhadores com registro em carteira alcança aproximadamente 2,18 milhões. O cenário não é exclusivo do estado. A mesma realidade se repete em outras unidades do Norte e Nordeste, como Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas e Acre. Rio Grande do Norte e Roraima aparecem como exceções nesse mapa.

Desde janeiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o mandato, o país passou a registrar um movimento de aproximação entre os dois indicadores. Naquele período, o número de beneficiários representava quase metade do total de empregos formais do Brasil. Em pouco mais de um ano, essa proporção recuou de forma consistente, refletindo a criação de novas vagas formais e a reorganização do programa social.

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A virada tem sido impulsionada por dois fatores principais: o crescimento do mercado de trabalho e a revisão dos cadastros do Bolsa Família. Desde o início de 2023, cerca de quatro milhões de postos de trabalho com carteira assinada foram criados no país, ao mesmo tempo em que aproximadamente 1,1 milhão de benefícios foram cancelados após um pente-fino que identificou cadastros irregulares, especialmente de famílias unipessoais incluídas de forma suspeita em 2022.

Especialistas avaliam que a tendência aponta para uma redução gradual da dependência dos programas de transferência de renda, mas destacam que o ritmo dessa mudança ainda é desigual entre as regiões. Na prática, a Bahia e outros estados caminham em uma linha delicada entre a necessidade de proteção social e o desafio de ampliar oportunidades de emprego formal, em um cenário que segue em constante transformação.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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