O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) defendeu a construção de um acordo entre o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), e o governador Mauro Mendes (União) para solucionar o impasse envolvendo a compra do Hospital Estadual Santa Casa. O posicionamento foi feito na tribuna da Assembleia Legislativa durante a retomada dos trabalhos parlamentares.
Segundo o parlamentar, a definição sobre o futuro da unidade hospitalar vem sendo cobrada junto ao governo estadual há meses. Avallone afirmou que o governador já sinalizou possuir um plano para resolver a situação, mas destacou que é necessário diálogo direto com a Prefeitura para avançar na negociação.
“Há mais ou menos oito meses o governador esteve aqui e nos disse que tinha uma solução para a Santa Casa. Hoje estivemos juntos, cobrei ele novamente e ele reforçou ter um plano. O prefeito Abílio também tem manifestado interesse em resolver essa questão e tem buscado soluções. Então quero explicar ao Abílio, que ele se sente com o governador Mauro Mendes e se unam”, declarou o deputado.
Para Avallone, a responsabilidade pela definição do futuro da Santa Casa é coletiva. “A missão da Santa Casa não é só da Assembleia, ou da Prefeitura, da Câmara muito menos do Governo, mas é de todos nós. Portanto, unidos com certeza traremos essa solução”, reforçou.
Recentemente, o prefeito Abílio Brunini anunciou a intenção de apresentar um lance de R$ 30 milhões para aquisição do hospital. O valor, segundo ele, poderia ser viabilizado por meio de uma articulação com deputados estaduais e a Câmara Municipal de Cuiabá, utilizando recursos provenientes de emendas parlamentares.
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A proposta ganhou apoio de parte da bancada. O deputado Júlio Campos (União) sugeriu que pelo menos 10 dos 24 parlamentares contribuam com emendas para viabilizar a compra do imóvel.
Com mais de 200 anos de funcionamento, a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá encerrou as atividades em março de 2019 após enfrentar grave crise financeira. À época, trabalhadores ficaram meses sem receber salários, e a instituição acumulou cerca de R$ 50 milhões em dívidas trabalhistas.
Diante da situação, o Governo do Estado assumiu as instalações por meio de requisição administrativa e passou a operar o espaço como unidade estadual de saúde. O prédio histórico, no entanto, foi colocado à venda, e a alienação é considerada fundamental para quitar as dívidas deixadas pela antiga administração.
O debate atual gira em torno de quem deve assumir a compra e qual será o modelo de gestão definitiva do hospital. Enquanto o Estado já mantém o funcionamento da unidade, a eventual aquisição pela Prefeitura pode alterar o formato administrativo e a destinação dos serviços prestados à população.
A indefinição mantém trabalhadores, credores e a população à espera de uma solução concreta para um dos patrimônios mais tradicionais da saúde pública mato-grossense.