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Atlas projeta 507 milhões de crianças e adolescentes com excesso de peso até 2040

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Até 2040, cerca de 507 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos poderão viver com sobrepeso ou obesidade em todo o mundo. O dado é do Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado pela World Obesity Federation, que alerta para o avanço acelerado do excesso de peso na população infantojuvenil.

Atualmente, aproximadamente 20,7% das pessoas em idade escolar vivem com sobrepeso ou obesidade — índice superior aos 14,6% registrados em 2010. A tendência preocupa especialistas porque o excesso de peso na infância está diretamente ligado ao aumento de doenças crônicas ainda na juventude.

Riscos à saúde

Segundo o relatório, até 2040 cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais precoces de doença cardiovascular, enquanto 43,2 milhões podem desenvolver indícios de hipertensão.

O médico Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e presidente eleito da entidade internacional para o biênio 2027–2028, destaca que a exposição prolongada ao excesso de peso desde cedo está associada a riscos aumentados de apneia do sono, agravamento da asma, problemas ortopédicos e maior incidência futura de alguns tipos de câncer, como colorretal, fígado e pâncreas.

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Além dos impactos físicos, especialistas ressaltam consequências psicossociais importantes, como estigmatização, bullying e prejuízos à qualidade de vida, fatores que podem repercutir ao longo de toda a vida adulta.

Chamado por políticas públicas

A diretora-executiva da World Obesity Federation, Johanna Ralston, afirma que muitos países ainda não adotaram o conjunto necessário de políticas para prevenção, monitoramento e cuidado.

Entre as medidas defendidas pela entidade estão:

  • Impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar;

  • Restrições à publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, inclusive em plataformas digitais;

  • Promoção da atividade física regular nas escolas;

  • Proteção e incentivo ao aleitamento materno;

  • Melhoria dos padrões nutricionais da alimentação escolar;

  • Integração da prevenção e tratamento da obesidade na atenção primária à saúde.

Especialistas reforçam que o foco deve ser criar ambientes mais saudáveis, tanto em casa quanto na escola e nos espaços públicos, evitando que crianças sejam expostas precocemente a padrões alimentares inadequados e sedentarismo.

O relatório destaca que agir agora pode reduzir custos futuros aos sistemas de saúde e melhorar a qualidade de vida de milhões de jovens em todo o mundo.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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