A arroba do boi gordo voltou a subir com força em São Paulo, impulsionada pela combinação de oferta restrita de animais prontos para abate, escalas curtas nos frigoríficos e ritmo firme das exportações de carne bovina. O cenário tem fortalecido a posição dos pecuaristas nas negociações, reduzindo a pressão tradicional exercida pela indústria.
Analistas do mercado pecuário apontam que muitos frigoríficos operam com programações de abate reduzidas, em alguns casos com poucos dias garantidos. Essa limitação obriga as plantas a disputar lotes disponíveis, elevando as propostas de compra e sustentando a valorização da arroba.
Exportações dão sustentação aos preços
O mercado externo segue como um dos principais motores da alta. A demanda internacional, especialmente da Ásia, mantém fluxo consistente de embarques, contribuindo para enxugar a oferta interna e melhorar a margem das indústrias exportadoras.
Com o dólar em patamar favorável e contratos já firmados para entrega, frigoríficos habilitados para exportação têm maior capacidade de pagar preços mais altos ao produtor. Esse movimento acaba influenciando também as negociações no mercado doméstico.
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Oferta limitada e retenção estratégica
No campo, muitos pecuaristas optam por reter animais, aguardando valores ainda mais atrativos. A estratégia é facilitada em propriedades com boas condições de pastagem ou com estrutura de confinamento, o que reduz a necessidade de venda imediata.
A menor disponibilidade de boiadas terminadas, somada ao aumento do custo de reposição, também contribui para que os produtores resistam a propostas consideradas abaixo do esperado.
Indústria tenta recompor escalas
Diante do cenário, frigoríficos buscam recompor suas escalas de abate oferecendo bonificações por qualidade, pagamento à vista ou prazos reduzidos. Ainda assim, o poder de barganha tem favorecido o produtor, especialmente em São Paulo, principal referência nacional de preços.
Especialistas alertam, porém, que o mercado pecuário é cíclico. Movimentos bruscos de alta podem ser seguidos por ajustes, dependendo do comportamento do consumo interno, do ritmo das exportações e das condições climáticas que influenciam a oferta de animais.




