CentroesteNews
18/01/2026
A Argentina encerrou 2025 com um resultado fiscal considerado histórico pelo governo do presidente Javier Milei: superávit primário e financeiro pelo segundo ano consecutivo, algo que não ocorria desde 2008 quando analisado em base caixa. Os números foram apresentados pelo ministro da Economia, Luis Caputo, e reforçam a estratégia de austeridade adotada pela atual gestão como eixo central da política econômica.
De acordo com os dados oficiais, o superávit primário alcançou 11,77 trilhões de pesos, o equivalente a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Já o superávit financeiro (que considera o pagamento dos juros da dívida pública) somou 1,45 trilhão de pesos, cerca de 0,2% do PIB. O resultado superou as metas pactuadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e marcou a primeira vez desde 1993 que o país honrou integralmente os serviços da dívida mantendo as contas no azul.
O desempenho foi impulsionado por um ajuste profundo nas contas públicas. Segundo o Ministério da Economia, o gasto primário caiu 27% em termos reais em relação a 2023, refletindo cortes em subsídios, reestruturação administrativa e revisão de políticas consideradas ineficientes. Ao mesmo tempo, o governo promoveu uma redução expressiva de impostos, superior a 2,5% do PIB desde 2024, com o objetivo de estimular o setor produtivo e recuperar a confiança dos investidores.
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A gestão Milei sustenta que o equilíbrio fiscal deixou de ser uma medida conjuntural e passou a funcionar como uma âncora permanente, incorporada ao Orçamento de 2026. A diretriz do “déficit zero” foi apresentada como política de Estado, destinada a romper com décadas de desequilíbrios fiscais recorrentes no país.
Apesar do forte ajuste, o governo afirma ter mantido e até ampliado programas de assistência social. Benefícios como a Asignación Universal por Hijo (AUH) e a Tarjeta Alimentar registraram aumento real de 43%, passando a cobrir cerca de 92% da cesta básica alimentar, segundo dados oficiais. O Executivo argumenta que a focalização dos gastos permitiu proteger as camadas mais vulneráveis sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Economistas avaliam que o resultado fortalece a posição da Argentina no cenário internacional, melhora a previsibilidade macroeconômica e pode reduzir o custo de financiamento do país no médio prazo. Ao mesmo tempo, alertam que a sustentabilidade do modelo dependerá da retomada do crescimento econômico, da geração de empregos e da manutenção do apoio político às reformas.
Para o governo Milei, o superávit consecutivo representa um ponto de inflexão após anos de déficits crônicos e inflação elevada. A aposta agora é que o ajuste fiscal, combinado à redução da carga tributária, crie condições para um ciclo de crescimento mais estável e menos dependente de endividamento.