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Alerta na saúde: CRM-MT critica fusão entre Samu e Bombeiros e aponta riscos ao atendimento

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O posicionamento do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) trouxe uma nova camada de complexidade ao debate sobre a reestruturação da saúde pública no estado, ao lançar um alerta contundente sobre as mudanças no atendimento de urgência e emergência. A manifestação do órgão, divulgada nesta sexta-feira, foca na recente integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar, um modelo que, embora prometa agilidade, tem gerado apreensão quanto à manutenção do rigor técnico-assistencial. Para o conselho, a preocupação central reside no fato de que o atendimento pré-hospitalar é, essencialmente, uma atividade de saúde que não pode prescindir da coordenação médica direta, sob o risco de comprometer a segurança de quem está na ponta esperando por socorro.

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A nota pública emitida pelo CRM-MT reconhece o valor histórico e operacional dos Bombeiros e entende que a redução no tempo de resposta é um avanço necessário, mas pontua que a eficiência logística não deve ser o único termômetro de sucesso. O temor é que a substituição progressiva de equipes multiprofissionais do Samu por estruturas militares possa fragilizar a regulação médica, que é o cérebro das operações de resgate e o elemento que garante a precisão nas decisões clínicas em momentos críticos. A visão defendida pelo conselho é de que o ganho em rapidez não pode ocorrer em detrimento da profundidade do cuidado médico, especialmente em casos onde a complexidade do paciente exige uma intervenção técnica que vai além do resgate físico.

Este embate institucional ganha força em um momento de transição administrativa e política, onde o governo estadual tem defendido com entusiasmo os resultados da unificação. Dados oficiais apontam que a parceria já reduziu o tempo de espera em 36% e ampliou o volume de chamados atendidos, argumentos que dão sustentação à estratégia da gestão atual. Entretanto, o clima nos bastidores da saúde é de tensão, especialmente após o desligamento de dezenas de profissionais contratados do Samu, o que gerou protestos da categoria e alimentou a tese de que a humanização e a experiência técnica acumulada ao longo de anos poderiam estar sendo trocadas por um modelo puramente operacional.

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Diante desse cenário, o CRM-MT cobra transparência e a apresentação de estudos técnicos que comprovem que a qualidade da assistência aos mato-grossenses não será prejudicada. O órgão reitera que qualquer mudança estrutural no SUS deve contar com a participação ativa dos médicos na formulação das políticas, garantindo que a medicina continue sendo exercida com autonomia e segurança. O compromisso firmado pelo conselho é o de manter uma vigilância rigorosa sobre os desdobramentos dessa integração, sinalizando que a proteção da saúde pública e o respeito aos protocolos clínicos continuam sendo prioridades inegociáveis para a classe médica.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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