Pesquisadores estão preparando na Amazônia um dos maiores experimentos para entender como uma floresta tropical madura poderá reagir ao aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera nas próximas décadas.
O projeto AmazonFACE, instalado na estação experimental ZF2, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ao norte de Manaus, pretende elevar experimentalmente a concentração de CO₂ ao redor da vegetação de aproximadamente 420 partes por milhão (ppm) para cerca de 620 ppm.
Diferentemente de experimentos realizados em estufas, o estudo será conduzido diretamente sobre uma floresta tropical madura. Com isso, fatores naturais como chuva, vento, solo, animais, microrganismos e a competição entre espécies continuarão presentes durante a pesquisa.
A expectativa inicial é que uma maior concentração de CO₂ possa estimular a fotossíntese e, consequentemente, aumentar o crescimento das plantas e o armazenamento de carbono. No entanto, os pesquisadores buscam descobrir se esse efeito será realmente sustentado ao longo do tempo.
Isso porque o crescimento das árvores depende de outros fatores além do carbono. A disponibilidade de água e nutrientes no solo pode limitar a capacidade da floresta de aproveitar o CO₂ adicional para produzir madeira, folhas e raízes.
Estudos associados ao programa já apontaram mudanças nesse processo. Plantas do sub-bosque expostas a concentrações elevadas de CO₂ modificaram suas raízes e apresentaram maior associação com fungos micorrízicos, que podem auxiliar na obtenção de nutrientes.
O experimento também deverá investigar quais espécies serão mais beneficiadas, como o uso da água poderá mudar e por quanto tempo a chamada fertilização por CO₂ poderá continuar estimulando a vegetação.
Os resultados são considerados importantes para a ciência climática porque podem ajudar a aperfeiçoar as estimativas sobre a quantidade de carbono que as florestas tropicais serão capazes de retirar da atmosfera nas próximas décadas.
Em agosto de 2026, a Unicamp anunciou um investimento de R$ 113 milhões, resultado de um acordo envolvendo Petrobras, Unicamp e Inpa, para apoiar uma nova etapa do projeto. A expectativa é que, quando estiver plenamente operacional, o AmazonFACE acompanhe durante anos as transformações provocadas pelo aumento experimental de CO₂.