A trajetória do Grupo Tubino, formado pelo casal de advogados Cleiton Tubino Silva e Darlise Hasper Muniz Tubino Silva, ganhou um novo e complexo capítulo jurídico nesta semana. Com uma história que se divide entre os tribunais e as pastagens de Cáceres desde a década de 1990, o casal obteve uma decisão liminar da 1ª Vara Cível de Cuiabá que antecipa os benefícios da recuperação judicial, suspendendo a cobrança de uma dívida que alcança a marca de R$ 90,2 milhões.
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A medida, publicada no final de maio, traz um fôlego imediato ao interromper sequestros, penhoras e apreensões de bens, enquanto o grupo busca reorganizar suas contas diante de uma crise que mistura fatores econômicos e climáticos.
A jornada dos advogados na pecuária começou quase simultaneamente à abertura de seu escritório de advocacia, logo após a graduação em Mato Grosso do Sul. Ao longo de três décadas, o que era um investimento paralelo tornou-se uma operação robusta, mas que acabou asfixiada por um efeito cascata de adversidades.
No processo, o casal relata que o endividamento milionário não foi fruto de um único evento, mas de uma combinação severa: o aumento explosivo nos custos de insumos e combustíveis, as cicatrizes econômicas deixadas pela pandemia e, de forma mais drástica, a fúria da natureza.
As queimadas e as estiagens severas na região de Cáceres foram apontadas como vilãs centrais na desestruturação financeira do grupo. O cenário descrito nos autos é corroborado por dados alarmantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostram Mato Grosso como um dos estados mais atingidos pelo fogo no Brasil neste primeiro semestre de 2026.
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Com mais de 1.600 focos registrados até junho, o estado vive um período crítico que castiga diretamente a produtividade no campo, forçando produtores a buscarem crédito em condições que, com o tempo, tornaram-se impagáveis.
Agora, o próximo passo para o Grupo Tubino é a realização de uma constatação prévia, etapa fundamental para que a Justiça verifique se o casal possui as condições operacionais necessárias para seguir com o processo de recuperação.
Este instrumento, muitas vezes visto como a última boia de salvação antes do encerramento das atividades, exige transparência e a indicação de bens essenciais para que a produção não pare. Para Cleiton e Darlise, o desafio atual é converter a experiência acumulada no Direito em uma estratégia de sobrevivência para o negócio que construíram no coração do Pantanal mato-grossense.